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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Aliança.



A aliança
caiu sobre a mesa
Rodopiando,
Bailarina solitária.
E nas voltas
Que deu sobre si mesma
Cantando,
Compôs uma ária.

Cantava e dançava só,
Que triste sina!

Rodopiou até virar pó:
Vida de bailarina!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Pequena e triste biografia de uma louca.



Refugiou-se,
esterilizada,
no subterrâneo
dos próprios
sentimentos.
Em misticismos
loucos
do momento,
atirou-se
com fé
desamparada.
A solidão
foi chegando
sem mesuras
e tomou conta
do que antes
fora brilho.
Tornou-se um poço
de angústia
e de censuras,
sempre odiando
introdução
e estribilho.
E, ao fim de tudo,
na certeza
enlouquecida,
foi com orgulho
que entoou
um canto triste.
Morreu sozinha,
na tristeza
esquecida.
E ainda
manteve, no adeus,
o dedo em riste.

Consternação do poeta.

Minha poesia é lágrima
Que desce pela face dolorida;
É dor profunda, uma despedida,
A cena triste, sempre adiada.
Não faço versos só de desalento,
Há revolta nas letras unidas,
Há desespero por saber perdida
A dracma jamais achada.
Se ao menos meu destino fosse
Andar errante pelos oceanos,
Como Ulisses, em seus gregos planos,
Sem ver armada em sua casa a foice?
Não teria uma dor profunda
A torturar meu peito angustiado.
Ou não saber, por ser um exilado,
É mais castigo que a cova funda?
A mim, me coube suportar o jugo,
Mas o amor renasce em outro tempo,
Trazendo em seu braço alento,
Lenço que a lágrima enxugo.
Sei que nada dura eternamente.
A dor de hoje é lição pra vida!
E mesmo sendo, dura é a lida
De um poeta, quando a pressente.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Noturna.

Minhas costelas doem,
sinto enjoo.
O sono avisa
que já passou das três.
Dennis Quaid na TV
e um vazio enorme
no corredor.
Sei que poderia
ser melhor,
mas não é.
E, se você não voltar,
vai levar muito tempo
até que eu possa sorrir
outra vez.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Inexorabilidade.

Sobre o que você quer saber?
Sobre minha dor e desânimo?
Sobre o quanto andei
e o cansaço do caminho?
Pois não tenho nada para ti.
Não tenho uma palavra sequer.
Tenho a vontade inexorável
de continuar apesar de tudo.
Tenho essa teimosia familiar,
esse desejo de superação,
e péssimos ouvidos para o que
me contraria.
São três da tarde e eu continuo.
É fim-de-ano e não vou recuar um milímetro.
Não espero nada de você
e espere de mim exatamente isso:
que eu não me importe.
Que eu não me renda!
A inflexibilidade
inquieta e rígida
dos que caminham sem olhar para trás.

Terra Úmida

Escrever sem censuras é como o cheiro da chuva,
é como mato molhado, terra úmida, a própria casa...
Não se prender à opiniões, aos julgamentos
que sabemos que serão implacáveis.
Dane-se!
Quero mais que se desorientem!
Que especulem, que tentem!
Que, ao menos se ocupem com algo mais interessante
que seus umbigos marcados
por se debruçarem sobre a vida alheia.
Poesia para mim é vida!
É respirar ininterruptamente
com o nariz encostado na terra,
sorvendo dela
o cheiro de movimento;
Do que vive e do que morre,
do que passa e do que escorre
para o mais profundo dos sentimentos.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Apaixonadamente.



Flores, cores e arredores
No caminho dos amores
Que sorriem contagiosamente.
São comuns os destemores
Em meninos e senhores
Se, apaixonadamente,
Entregarem-se aos sabores,
Sempre rico, dos amores
Que atingem a toda a gente.

Conselho.

Plong faz meu coração cansado
Ao cair se desmanchando nas costelas.
Passa, arrebentado, sobre elas
Pinga plic, plic, abandonado.

Triste órgão desorientado
Pelas vãs vacuidades dessa vida.
Sabe que não tem qualquer saída,
Teima em viver estrebuchado.

Coração, seu tolo maltratado!
Aprenda a manter mui bem guardada
A chave que mantém distanciada
A dor que tens experimentado.

Seja um forte músculo estriado.
Não tremule na cadência da batida,
Que não há eterno bem na dura lida,
Mas também não há um mal eternizado.

Verso.



Vi, no vazio de vossos olhos,
As horas dos votos vencidos
Voarem velozes ao vento.
Vi a vida enviesar no momento
Dos vastos amores extintos.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Filosofando.



O que é a coisa, afinal?
Qual o seu sentido?
De onde surge o mal?
Que tem te consumido?
Quais são as definições
Que nunca mudaram?
E que opiniões
Já não se transformaram?
A verdade é absoluta?
Luz demais é como treva?
Quem está na caverna reluta,
Ou à cegueira se entrega?
O conhecimento é a busca
Das respostas para tudo?
Ou perguntar só ofusca
E o melhor é ficar mudo?
Muitas interrogações
Estão te constrangendo?
As muitas convicções
Estão te absolvendo?
Há uma forma segura
De enfrentar o destino?
Ainda existe a pura
Inocência de menino?
Como podemos unir
A fé e a razão?
O que seria o devir?
O que diria Platão?
As perguntas não acabam.
São eternas as questões
Porque os homens não param
De tomar suas decisões.
Questionar é um direito,
Uma arte, obrigação.
É criar fino conceito
Escutando a razão.

domingo, 1 de setembro de 2013

Texto e discurso.

O discurso é a ideia
E o texto a realiza.
Coerência dá sentido
Quando você verbaliza.
Coesão é o casamento
Das ideias em um texto;
Por isso, em cada momento,
Avalie o contexto.
Para a textualidade,
É bom definir muito bem,
A intencionalidade
E a adequação também.
Não se esquecendo, porém,
Da informatividade
E da irmã que as outras têm:
A intertextualidade.
Escreva tudo na lista
De estudos, que é bem grande!
E nunca perca de vista:
Marcuschi, Pierce e Beaugrande.

Sacerdócio.



Procurar por você
é minha sina
Desde os meus tempos
de menina
Quando nem sabia ler
Mas olhava as páginas abertas
Como um alerta,
Como um alvorecer.
Sempre soube
que era isso que eu queria
Mas são engraçados
Nossos descaminhos
Enganamos nossos sonhos
Com enredos
Com os mais vários medos,
Flores e espinhos.
Era como um diamante
Em estado bruto,
Mexer com palavras
É um desafio!
É tecer o mais lindo e
Delicado
Dos tecidos inventados,
Fio a fio.

sábado, 31 de agosto de 2013

Linguística.

O que é código? O que é língua?
Não quero morrer à míngua
Da linguística tão necessária!

Quero sacar Saussure
E as coisas que nunca vi
Sem entupir minha coronária!

Langue, sintagma, diacronia,
Parole, paradigma e sincronia,
E mais expressões da área:

Só tendo dois corações
Para suportar duas articulações
Sem se sentir solitária.

Com o significante e o significado,
Que bom termos Vania Bernardo,
E sua atenção solidária!

Estratos.

Do Ibérico temos barro,
Baía, esquerdo, balsa e cama.
O Celta nos deu carro,
Caminho, camisa e cabana.
O Fenício e o Púnico deram
Barca e mapa, respectivamente.
Do Grego as que vieram
Foram muitas, certamente.
Esses são os substratos
do português europeu.
Isso, qualquer literato
Sabe bem mais que eu.

O adstrato, Ednalda garante,
Vem do árabe e do provençal:
Algodão, alecrim, alicate,
Alqueire, arroba e quintal.
Tem alarde, alcunha, alvará,
Algazarra, javali, alarido.
In sha Allah se tornou oxalá!
Almofada, azulejo e garrido,
Califa, aduana e alcova,
Alaúde, açafrão e tambor.
Lembrar disso tudo na prova
Foi teste de marca maior.

Não pense que tudo acabou,
Ainda temos o superstrato,
Que nos influenciou
Bem mais que o substrato!
São da vida militar:
Albergue, dardo e brasão,
Estribo, espeto e estampar,
Espora, arauto e galardão.
E se for escarnecer,
A palavra também é de lá.
“Fica doido não bebê!”
O importante é estudar.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Questionamento.

O que é a loucura, afinal?
Acreditar em meus sonhos?
Viver como acho melhor?
E, como Quixote, o mal
não perceber tão medonho?

O que encontro é sinal
que me reforça, suponho,
a manter, por força maior,
o que ao destino fatal
por pura crendice proponho:

Viver como acho melhor!
E que seja loucura, afinal,
o que quer que seja meu sonho!

Verossímil.



Não sou poeta,
sou uma arranjadora
de versos.
Escrevo o que sinto,
e o que sinto
não tem nada de real.
O que sinto
é como apreendo
cada uma das coisas
que acontecem
ao meu redor;
e tudo depende
de minha
turva visão limitada
por medos, preconceitos,
ou por simplesmente
não estar num
ângulo favorável -
esse lado de dentro -
esse miserável
e desfavorável
lado de dentro!

Precipitação.

Sob as velhas
palmeiras
perfiladas,
e o escuro azul
do céu noturno,
ando a pensar
nas formas
abstratas
dos papéis
que revezamos
turno a turno.
Ando a pensar e
não fujo de onde
a caminhada nos fez dar,
finalmente; não há
caminhos ou atalhos
nessa estrada,
só precipício
e um desfecho
obsequente.

Adiamento.

Corri do avião,
corri da chuva,
corri do cachorro
irritado.
Achei que correndo
de tudo
faria do tempo aliado!
Hoje sei, com certeza,
que nada é como desejo;
por isso, não sei até
hoje, o gosto que tem
o seu beijo.

Visagem.


Olha o menino aí
correndo descalço
pelas calçadas:
na mão carrega
uma pipa; nos ohos,
a vida toda!

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Nua.

Dá-me um tema
e te faço um verso.
Dá-me a pena
e te desconcerto!
Dá-me teu beijo
e eu desconverso;
peça-me tudo,
mas não peça nexo.

Sou a confusa,
a que tem segredos.
À luz difusa,
esqueço meus medos.

Mas não se engane
com minha aparência:
faço a madame
sem qualquer decência.

E te engano
sem hesitação,
de que não há dano
em meu coração.
Quando a verdade
é bem diferente:
a dor me arde
como óleo quente.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Odisseia.

Ulisses, bravo guerreiro,
que a ira de um deus suscitou
ficando longe da esposa,
que por vinte anos bordou
um misterioso tapete -
à espera de seu companheiro;

Retorna à casa primeiro
e, aos que por lá encontrou,
se faz de mendigo e esboça
um plano que aos mais agradou:
a mão de Penélope compete
ao que for mais hábil arqueiro!

Venceu a todos e, certeiro,
os pretendentes matou,
se deu a conhecer à esposa
e sua cidade voltou
a ser a casa do príncipe
que aos mares sobrepujou!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Poesia.

A poesia é palavra louca,
dançando, de ponta
sobre o tapete fino.

Os passos leves
em reviravoltas,
fazem desenhos
ao som de um breve sino.

Beije-me.



Quero teus beijos agora!
Não sejas tão duro assim.

Teus beijos, de hora em hora,
são como remédio pra mim!

Possibilidades.



Se eu dominasse as palavras
te diria o quanto te amo
sem que percebesses.
Se o amor me desse os versos,

Não haveria coração
que não doesse.

domingo, 2 de junho de 2013

Zás.



Eu te amo
porque insisto
em fazê-lo,
e há em mim
qualquer coisa
de zelo
pelo que não
se ama
a contento.
Espero mesmo
que meu
surto passe
a tempo
de um breve
impasse
do meu
pensamento.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Mais nada...

O amor que eu quero
não rima,
não flutua,
não faz os sinos dobrarem...

O amor que quero
só precisa me ouvir,
falar comigo
e me tocar
como se fôssemos nós
e mais nada!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Pessoal,
este é outro blog que possuo sobre o livro que escrevi Lílian, a Carta e a Pedra Marcada. è uma históia repleta de aventura, amor e superação de um casal de adolescentes que descobre o amor sem saber que são líderes de povos inimigos. Para que estabeleçam a paz entre seus povos e possam desfrutar desse amor, Lílian e Daniel precisam passar por provas sobrenaturais e vencer um inimigo muito mais forte que eles: o tempo. Venham comigo nessa aventura e descubram como termina a saga desses dois apaixonados! Bjos a todos!

http://luanaetrintaalmasteen.blogspot.com.br/